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sábado, 17 de março de 2012

A Saúde

Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney
Fonte: CNBB - Regional Leste I


[Nota do editor: os grifos são meus.]


A Campanha da Fraternidade, ato caritativo e social promovido pela Igreja do Brasil neste tempo quaresmal, tem como tema nesse ano, como é sabido, “Fraternidade e Saúde Pública”, e como lema “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8), com o objetivo geral de “refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos”. 



A saúde é um dom de Deus que se confunde com a nossa vida. Jesus, vindo para salvar a humanidade, veio salvar o homem todo, alma e corpo. A cura da alma teve e tem a preferência de Jesus. Isso fica bem visível no milagre do paralítico. Quando lho apresentaram, deitado na maca, pedindo obviamente que o curasse, Jesus disse: “Filho, tem confiança, teus pecados te são perdoados” (Mt 9,2), mostrando a necessidade de se curar a alma mais que o corpo. Depois, claro, ele curou o paralítico, demonstrando sua divindade e seu interesse também na saúde do corpo. Ademais, Jesus se identifica com os enfermos, nos quais quer que nós o vejamos, ao cuidarmos deles: “estive enfermo e cuidastes de mim” (Mt 25,36).  Ele ensinou também que os doentes precisam de médico (Mt 9, 12).
 Aliás, o capítulo 38 do Eclesiástico, do qual é tirado o lema da Campanha, seria uma resposta sagrada à objeção subjacente entre os judeus de então de que não seria necessário cuidar da saúde, mas apenas confiar em Deus: “Honra o médico, porque ele é necessário; foi o Altíssimo quem o criou. De Deus lhe vem a sabedoria… O Altíssimo faz sair da terra os medicamentos, e o homem sensato não os rejeita… O Altíssimo deu aos homens a ciência, para que pudessem honrá-lo por suas maravilhas. Com os remédios o médico acalma a dor e, com eles, o farmacêutico prepara os unguentos: assim, suas obras não ficam inacabadas e a saúde se difunde sobre a terra… Filho, se adoeceres, não te descuides, mas roga ao Senhor, e ele há de curar-te… e recorre ao médico, pois também a ele o Senhor criou. E ele não se afaste de ti, pois tens necessidade de seus serviços… Peca na presença daquele que o criou quem não se submete ao tratamento do médico” (Eclo 38 1- 15).  
 Essa Campanha da Fraternidade visa também sensibilizar a todos sobre a dura realidade de muitos dos nossos irmãos que não têm acesso à assistência de Saúde Pública condizente com suas necessidades e dignidade. E a razão da insistência da necessidade de atenção aos pobres é dada pelo Papa Leão XIII: “O Estado, na proteção dos direitos particulares, deve preocupar-se, de maneira especial, dos fracos e dos indigentes. A classe rica tem menos necessidade da tutela pública. A classe indigente, ao contrário, sem riquezas que a ponham a coberto das injustiças, conta principalmente com a proteção do Estado” (Leão XIII,Rerum Novarum 20). Segundo o Índice de Desempenho do SUS (IDSUS), lançado dia 1º de março pelo Ministério da Saúde, que mede o acesso e a qualidade nos serviços da rede pública, apenas 6,2% dos municípios tem serviço de boa qualidade. Estamos longe, portanto, de um atendimento digno à saúde.

 Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal
                                                                         São João Maria Vianney

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Normas para o jejum e a abstinência






Chegou a Quaresma. Iniciamos o tempo forte da Igreja para combater, em nós, a influência do demônio, do mundo e da carne. E um dos métodos, que nos vem da Bíblia, e é atestado pela unânime tradição católica, é o jejum, em sentido amplo. Esse jejum abarca o jejum em sentido estrito, e as várias formas de abstinência.
Para melhor realizarmos o propósito que o Senhor tem para as nossas almas, a Igreja dá normas simples e mínimas para que os fiéis iniciemos a luta espiritual.

Conforme o Código de 1983, eis as normas:
Jejum: fazer apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, tomar duas outras pequenas refeições que não sejam iguais em quantidade à habitual ou completa. Não fazer as refeições habituais, nem outros petiscos durante o dia (embora, pela tradição, se possa beber algo sem açúcar). Estão obrigados ao jejum os que tiverem completado dezoito anos até os cinqüenta e nove completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum.
Abstinência: deixar de comer carnes de animais de sangue quente (bovina, ovina, aviária, bubalina etc), bem como seus caldo de carne. Permite-se o uso de ovos, laticínios e gordura. Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado quatorze anos, e tal obrigação se prolonga por toda a vida. Grávidas que necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.
Quarta-feira de Cinzas: jejum e abstinência obrigatórios.
Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: jejum e abstinência obrigatórios.
Demais dias da Quaresma, exceto os Domingos: jejum e abstinência parcial (carne permitida só na refeição principal/completa) recomendados.
Dias assinalados pelo calendário antigo como Sextas-feiras das Têmporas:[já falamos das Têmporas aqui] jejum e abstinência recomendados.
Dias assinalados pelo calendário antigo como Quartas-feiras das Têmporas e Sábados das Têmporas: jejum e abstinência parcial recomendados.
Demais sextas-feiras do ano, exceto se forem Solenidades: abstinência obrigatória, mas não o jejum. Essa abstinência pode ser trocada, a juízo do próprio fiel, por outra penitência, conforme estabelecer a conferência episcopal (no Brasil, a CNBB estabeleceu qualquer outro tipo de penitência, como orações piedosas, prática de caridade, exercícios de devoção etc).